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Ronda (Orange Rita Tour)

Depois de ter “mudado o paradigma”, a minha pendura favorita continuava a questionar-me o porquê de tanto laranja, de tanto cavalo, a duvida de ter sido um ímpeto egoísta deixava no ar impossibilidade de uma partilha que nos já tinha dado muito.

5 dias, 4 noites baseados em Ronda (província de Málaga, a cerca de 600km de Lisboa) parecia-me um bom ponto de partida para lhe provar o contrário. Relativamente perto, muito interessante na sua envolvência, com duas tiradas grandes (na verdade, o dia de serra provou ser exigente, mas recompensador) para podermos ter dias com pouca mota pelo meio. E o grande bónus de ser perto de uma das atracções turísticas mais badaladas (para os “trecking freaks”) do Sul de Espanha, o Caminito del Rey, embelezaram um pacote motociclístico feito para agradar penduras desacostumadas (o hotel com spa era a cereja no topo do bolo).

Porquê Ronda? Para além de estar rodeada de montanhas (serra de Grazalema) com muito boas estradas, Ronda faz parte do último reduto árabe na península ibérica, e o seu legado cultural na arquitectura e história local é fascinante. Em tempos de tanto sectarismo e mesquinhez civilizacional, faz-nos bem percebermos as nossas origens, o velho continente (e sobretudo o espaço que partilhamos com nuestros hermanos, por geografia e clima, sempre foi muito apetecido) é profícuo em memórias de conquistas e derrotas, todas elas deixando a sua marca.

 

Dia 1:

Lisboa/Aracena/Sevilha/Ronda (600km)

Dia com grandes expectativas. Já fizemos grandes viagens juntos (diz quem viu, que fomos de Lua-de-Mel a caminho das Highlands). Sendo pais recentemente, nos últimos 4 anos só consegui partilhar as duas rodas com ela..duas vezes. E esta era de todas a mota mais…exclusiva…

Dia com um clima estranho, saímos a fugir à chuva e com 18° graus, para chegarmos a apanhar 38,5° ao largo de Sevilha (com um vento SO quente e de refregas, formando mini tornados que atravessavam a auto-pista). Há qualquer coisa de entediante atravessar a orla desta cidade, sempre um trânsito intenso e demasiadas possibilidades de nos perdermos nas incontáveis saídas.

Antes, as curvinhas de Aracena como aperitivo para o almoço e a ausência de queixas de maior pelo racio velocidade/conforto.. davam um bom mote para os dias seguintes.

Chegada a Ronda com tempo para usufruir do hotel, escolhido a pensar no bem-estar do casal (dela, portanto), com spa de circuito termal e jantar na varanda com vista sublime. Marcar pontos. Ganhar créditos. Noite com uma temperatura fantástica!

Aracena
Jantar no hotel
Puente Nuevo

Dia 2:

Ronda/Setenil de las Bodegas

Depois de um dia grande de mota, dia de sight-seeing pela cidade.
O desfiladeiro que atravessa a cidade é unido pela Puente Nuevo, uma das 3, e a mais icônica imagem de Ronda, é o ponto central da zona histórica.
O Palácio do Rei Mouro e descida à mina (literalmente uma descida aos infernos, com mais de 300 degraus), os banhos àrabes e a Praça de touros, completaram um dia bem quente. Para quem gosta das lides, esta praça marca uma corrente diferente da sevilhana, tendo Goya como inspiração nos trajes, é a praça mais antiga do mundo e tinha em Hemingway um dos seus fãs.

Ao fim do dia, um salto a Setenil de las Bodegas, uma vila simpática em que as casas são construídas debaixo de enormes blocos de granito. Os tons de dourado, as ondulações pitorescas no relevo e o modo como este Sul nos apresenta, remete-nos a uma Toscânia ibérica (li em tempos que só nos amealhamos de uma paisagem nova por comparação de algo que reconhecemos. Talvez. Faz sentido).

Fim de tarde quente e sem vento, óptimo para uma voltinha ao anoitecer ( – “Olha aí estas luzes que se acendem quando entramos em curva..giro, não é?!?” – Vale tudo!).

 

El desayuno!
Puente Nuevo de dia
Jardins do Palácio do Rei Mouro
Descida à Mina
Desfiladeiro do rio Guadalevín
Toscânia?

 

Banhos àrabes
Praça de Touros

Setenil de las Bodegas

Dia 3:

Volta circular pelos Pueblos Blancos.
Óptimo dia para passear por estradas de serra, 25 de máxima, algum vento, bom asfalto, e mais visuais fantásticos.
Os Pueblos Blancos têm sem dúvida um perfume marroquino, a disposição das casas nas encostas das montanhas, o serpentear labiríntico das vielas, e até alguns resquícios de arquitectura árabe, faz-nos lembrar que afinal não estamos assim tão distantes. Até no modo de estar.
Os lagos azul turquesa (água calcária) em cidades como Zahara, o miradouro de Gaucin (onde se vê Gibraltar e Ceuta), a estrada entre El Bosque e Grazalema (uma floresta alimentada pela nortada), e uns intermináveis 25 km onde a GT andou num caminho florestal com raízes, pedras e buracos (o Maps não o aceita como estrada, farei a correção na própria foto), fizeram deste o melhor dia de mota.
A caminho de Ronda passagem pela Cueva del Gato, onde a linha férrea passa por cima de uma cascata de águas cristalinas.

 

Zahara de la Sierra

 

Grazalema

 

Ubrique

Mirador de Gaucín
Cueva del Gato

Dia 4:

Caminito del Rey..

Conhecem os passadiços do Paiva? É parecido só que numa escala maior, muito maior.
Imperdível. As fotos falam por si.
Nota: levar fato de banho. A barragem é fabulosa, não conseguíamos deixar de ficar fascinados com a cor das águas!

Dia 5:

Ronda/San Pedro de Alcantara/Gibraltar/Puerto de Sta Maria/Rosal de la Frontera/Lisboa (

Regresso a casa. Descida até San Pedro de Alcántara (para fazer uma das best biking roads da zona A397, infelizmente feita a descer, é bem mais fácil ser suave “pendurado no acelerador do que nos travões), passagem efêmera por Gibraltar (Vale a pena fazê-lo com mais tempo, a subida ao “grande calhau”, aos túneis, à cidade velha, imperdível, e atravessar uma pista de aterragem para entrar noutro país…é um must), almoço em Puerto de Sta Maria para atestar de marisco (icónico pela vasta escolha, a qualidade não nos supera..), e mais curvinhas de Aracena antes das rectas alentejanas e trânsito lisboeta.

Em jeito de conclusão.

Perto, diferente de um Sul de Espanha cada vez mais descaracterizado e entregue às loucuras veraneantes inglesas.
Um vislumbre de uma identidade que também faz parte do que somos como povo, estradas com visuais fantásticos e com muito boas condições para andar de mota.

Nota mais para a minha pendura achar que a Super Duke GT é uma boa mota de turismo..

Um abraço especial ao meu amigo Rui Gil, obrigado pelas dicas!

 

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