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Test Ride KTM 1290 Super Adventure S, 1290 Super Duke GT (“Ready to Travel” ??)

Façamos um exercício.

Propunham-nos fazer uma tirada entre Lisboa e Barcelona para apanhar aquele ferry que irá dar início ao nosso périplo pela Europa, temos as horas e os dias contados e falhar não é opção (temos aquela tia que tem carta mas não conduz, adora multas!). Ou se algum doido nos propõe a fazer a nossa N2 num dia (ver essa maratona aqui), 738 km de estradas exigentes, e chegar vivo para contar a estória.

À cabeça vem-nos um Jeremy Clarkson versão motard a gritar “powaa” enquanto roda o punho direito furiosamente (muitas motas o fariam feliz, ele é que ainda não viu a luz..) em direcção ao infinito.

Mas não é assim tão simples. A racionalidade instala-se, a experiência de longas horas no asfalto diz-nos que precisamos de algum extra, algum tipo de almofada psicológica que nos diga que nós vamos ser capazes, heróis por um dia. E esse, é o grande segredo destas duas máquinas, as nossas eleitas para viajar em modo Fast Forward.

Começamos pelas suspensões semi-activas, as White Power, com cursos diferentes na Super Adventure S (SA) e Super Duke GT (GT), fazem uma leitura irrepreensível do asfalto, adaptando-se em centésimos de segundo, com settings padrão associados aos níveis de amortecimento (Sport, Street e Confort comum a ambas, mais o modo Off-Road na SA), e diferença que estas fazem nos nossos níveis de confiança permite-nos abordar a condução com largas margens de segurança, o abraço à estrada é permanente e sem sobressaltos.

Com a capa de super-heroi posta, as rectas desaparecem rápido demais, e nessa altura os Brembo entram mordazes e muito progressivos (nota mais para o feeling no “ataque” à manete direita na GT), com o sistema Bosh de ABS sensível à inclinação e travagem combinada (quando accionado o travão da frente, uma percentagem actua o travão traseiro), estamos sempre em cima do acontecimento. Se quisermos ser uns verdadeiros hooligans na GT, podemos ligar o modo Super-Moto, permitindo bloquear a roda traseira..e assustar velhinhas nas passadeiras. Vale a pena. É um sistema de travagem tão poderoso, que no princípio travamos 20 metros antes e 20 km/h mais lentos do que devíamos. Ou podíamos…

Este LC8 tem alma de sangue puro, um fôlego interminável que se torna viciante na fase final do regime de rotações. Uma central nuclear, um caça de combate, um comboio alimentado a óxido nitroso. Estarei a exagerar? Não. É de facto um portento de força, com os seus 140Nm de binário (160cv na SA e 173cv na GT), este motor é baseado no V-Twin de 1300cc da Super Duke R (apelidada carinhosamente de…”a Besta”..), e se na GT a sua transformação de Hyper-naked para Sport-Turismo dá-nos indicação do seu potencial, a SA confunde-se com uma maxi-trail. Passo a explicar. A postura de condução, a arquitectura do chassis, transportam-nos para uma imagem mental que não se coaduna com a condução que esta mota nos proporciona. Incisiva, entusiasmante e desafiante o suficiente para colocar qualquer “piloto” de uma R em pontas dos pés. É impressionante a sua envolvência, e o patamar evolutivo deste pacote está muito bom. Hyper-trail.

O conta-rotações analógico da GT põe-nos um sorriso nos lábios (há qualquer coisa de transcendente e místico em ver um ponteiro a subir à velocidade do pensamento), contrastando com o futurista ecrân de 6,5 polegadas TFT da SA, um padrão em breve extensível a toda a gama da marca. Vale o restelismo (de velho) de combater a evolução da espécie? Creio que não. Adaptamo-nos, sorrimos dentro do capacete enquanto abusamos do acelerador à saída de mais uma curva, brutos, felizes. A electrónica faz-nos andar mais rápido, ir mais longe, com mais confiança. Em nenhuma altura sentindo esta mão divina (Controle de tracção com sensor de inclinação) a dar-nos uma dose de realidade, mais uma vez erguendo a estátua de campeões no nosso circuito imaginário.

Já perceberam o padrão, certo? Tudo nestas duas maquinas nos ajuda a percorrer quilómetros de modo absolutamente diabólico, com nota muito positiva para o quick-shift de ambas (up & down na SA),e as penduras agradecem a ausência de coice.

No fim do dia, cansados de tanto sorrir, cai a noite e as cornering lights funcionam de verdade, o jogo passa a ser (eternas crianças somos…) quantas conseguimos acender em inclinação (são patamares vários de LED´s, aumentado o grau de visibilidade no interior da curva), para chegarmos ao destino e descarregarmos bagagem e estórias para contar.

Neste capítulo a GT revela a sua componente turística, uma posição de condução confortável (desportiva o suficiente para podermos “pendurar” o corpo em andamentos mais vivos), umas malas amovíveis que quando retiradas deixam a descoberto a sua origem…”a Besta” está latente naquelas linhas angulosas e agressivas. Autonomia de 300km e consumos na casa dos 6,5? Muito Obrigado!… os amigos das Adventures agradecem a companhia (ainda irritados porque afinal…o sport-touring ainda não morreu!).

Dois conceitos diferentes. Duas formas de viajar. Um ponto comum. Este LC8 estará entre os melhores motores das ultimas décadas..

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