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N2. Uma estrada, Um país, Um dia.

 

Pois fizemos. A maior estrada do País num dia. Sendo um ícone do nosso mototurismo, achamos por bem carimbarmos a nossa Route 66 no patamar heróico de Bucket-list Motard.

Deu luta, foi memorável, e repetiamos o feito hoje, sem pestanejar..segue o relato.

 

São 738km de Chaves a Faro, e sabíamos à partida que iria ser um dia longo, a maior estrada do país atravessa 11 distritos, 8 províncias, 4 serras, 11 rios e 32 concelhos. Tem também das best biking roads nacionais, que reúnem, entre Norte, Centro e Sul, um desafio muito interessante para a endurance e capacidade de ritmo de cada um. Não tínhamos veleidades em perceber que não iríamos ter capacidade para apreciar paisagens. Um crime, dirão alguns. Com um interior tão rico, uma diversidade tão grande (gastronómica e paisagística), e tão pouco tempo para usufruir… Fizemos do asfalto a nossa prioridade e atravessamos Portugal inteiro unicamente focados na condução das nossas motas. Num dia.

Pairing Mode

Equipa reunida, seríamos 4 a sair de Chaves (onde tínhamos dormido de véspera) a fazer o troço completo. Mais 4 se juntariam ao almoço, em Vila de Rei.

 

8h – “A rolar…”

Quando traçamos objectivos tão ambiciosos, temos sempre de ter margem de reserva para lidarmos com as nossas expectativas. Depois de nos apercebermos que o hotel não nos servia pequeno-almoço antes das 7h, propusemo-nos a encontrar um café em Chaves (linda de madrugada, como qualquer cidade a despertar, o Tâmega ainda com bruma e o Sol a espreitar nas esquinas), rua acima, viela abaixo, motores barulhentos no empedrado… 20 min depois, já empaturrados com os pasteis da terra, foi tirada a foto da praxe no marco que assinala o quilometro 0 da N2. Crescia a ansiedade, a temperatura teimava em subir e a vontade de rolar era latente, tínhamos a noção de ter tês grandes pontos altos (a nível de condução) nesta epopeia. A zona vinícola do Douro, a zona centro com as serras do Buçaco, Lousã e Melriça, e no fim..as “curvinhas” do Ameixial (serra do Caldeirão), já bem dentro do Algarve.

Em pouco mais de uma hora começamos a aproximarmo-nos do Douro. Nesta altura já o Sol fazia desaparecer as manchas húmidas no asfalto, já o corpo se moldava à mota (o Norte curvilíneo e cheio de surpresas dava-nos a musica certa para dançar), e o ritmo voraz e confiante antecipava-nos a chegada às grandes escarpas verdejantes de vinhas perfumadas de uva, descidas e subidas retorcidas sempre com a presença de um rio imperial, e assim se manteve até Lamego. A maneira como nos perdíamos nos pormenores requintados da paisagem tirava-nos a concentração de uma pilotagem (sem devaneios nem loucuras, profissionais no foque e não na velocidade!) exigente, tudo aqui tem o seu espaço limitado, logo tem que se demarcar na sua existência..

 

11h30 – “Bem..já fizemos quantos kms?”

Espíritos em alta, boa disposição, pano de fundo de luxo para um dia de mota que estava a ser fantástico, a tirada seguinte iria ser decisiva para chegarmos a Vila de Rei à hora combinada para almoço.

Fizemos trabalho certinho até Santa Comba Dão, algum transito aprimorava o nosso sentido de oportunidade e dava azo a esmagamento voluntário de acelerador, este troço (sobretudo a passagem por Viseu, Tondela) afigurava-se pouco interessante, em termos de qualidade motociclística.

Era importante poupar energias, porque estávamos prestes a entrar na zona de ouro das melhores estradas do país para conduzir uma mota. Bom asfalto, fluidez de linhas, subidas em curva, descidas largas e bem visíveis, curvas de 4a, de 3a, de reduções de 6a para 4a, travagem, apex, saida á procura da proxima rotina, permanentemente a mota em angulo durante quilómetros e quilómetros… Orgásmico! Há qualquer coisa nas imediações de Gois, Pedrogão, Sertã… As estradas da serra da Lousã foram criadas por um deus que anda em duas rodas, que gosta de conduzir e que gostou de desafiar a sua imaginação para criar estes pedaços de céu escuros com linhas e tracejados.

Chegámos a Vila de Rei com meia N2 feita, extasiados, pneus a ferver e espírito leve. Se tivesse terminado ali, teria sido um óptimo dia em cima da máquina. Faltava meio país…

 

15h – “Não há duas motas iguais neste grupo!”

Após almoço, mais 3 convivas se juntaram (por logística profissional, não tinham conseguido arrancar no dia anterior para Chaves) ao grupo, já tínhamos umas estórias para contar, e a energia renovada deste reencontro fez-nos esquecer a moleza típica de um bom repasto. Andamento que elas não podem arrefecer!

Ponte de Sôr, Avis, davam-nos os últimos resquícios de curvas e preparavam-nos para um Alentejo duro e eterno, com as suas rectas intermináveis e mudanças de direcção surpresa, pondo-nos à prova atenção e diminuindo-nos a fluência.

Com o numero de pessoas a aumentar, acresce a possibilidade de enganos, de partir a caravana se não andarmos todos em sintonia. Peripécias como picadas de abelha em andamento, líquidos de refrigeração que não se mostram a nível, ou reflectores que teimam em abandonar matriculas, são resolvidos com companheirismo de excelência, “somos um só e como um só chegaremos ao fim”. Não existiam nesta altura duas motas iguais, desde as possantes maxi-trail, às hyper-naked, tínhamos de um pouco de tudo. Em Montemor apanhámos o ultimo camarada, um notável que por nada iria perder esta caravana. Nota mais para as planícies douradas, para as cegonhas e rapinas que nos fizeram vénias por voarmos como elas.

 

18h – “Olhem que ainda não acabou..”

Temperaturas altas, 600 km em cima do lombo, já as conversas se expandem num café com vista para as montadas, e Algarve ali tão perto, dava-nos a falsa sensação de termos conseguido.

Guardamos os bombos e não lançámos os foguetes…faltava o Caldeirão. O discernimento depois um dia tão exigente de condução iria ser posto à prova com a chegada à serra, numa altura em que a luz iria desaparecer e a estrada iria virar carrossel. Carrossel não, montanha-russa.

Após Almodôvar e até São Brás de Alportel, a topografia muda e a estrada começa a contorcer-se num sobe e desce frenético, curva e contra-curva apertada onde se nos apresenta o Ameixial, numa cadência louca onde o importante é manter o ritmo para não perder o momento… Fantástica apoteose de fim de festa, a noite chegava mesmo quando o ultimo sorriso (gigantesco!) ficava longos minutos preso dentro do capacete. Estrada com relevês pronunciados, visibilidade para as 2, 3 curvas seguintes, bom piso, variações constantes e abruptas de inclinação? Montanha-russa! Faltavam poucos quilometros para Faro.

 

21h30 – “Hecho.”

Motas paradas no derradeiro marco. 738km de N2 feitos num dia. Portugal de Norte a Sul. A estrada mais longa. Foto. Onde estão as imperiais?

Obrigado aos companheiros do Moto Riders Crew por tornarem isto possível. Enormes.

P.S. – Desculpem a falta de imagens. Estivemos muito ocupados a andar de mota.

 

Pode fazer o download da N2 aqui: LINK

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