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Test Ride X-Adv, CRF1000 Africa Twin (Fun Fun Fun!!)

 

 

“São 9h30 da manhã, e estou embrulhado no trânsito de Leiria, quando…num reflexo pavloviano travo a fundo, pressionando um travão julgando ser a embraiagem. Era capaz de jurar que nos ultimos 500m isto pôs mudanças?!?!”

 

Começo por dizer que sou um céptico. Aquando dos primeiros teasers da Honda em relação a esta scooter (maxi-scooter?, mini-trail?) achei interessante o exercício de estilo, fora da bolha, mas confesso que não levei muito a sério as potencialidades da máquina, até a ver ao vivo equipada com crash-bars e farois auxiliares. Aí apercebi-me do quão serios estariam em provar que esta seria uma proposta para fazer umas…coisas diferentes.

Então e se pegarmos na fantástica África Twin e fizermos um jogo? Tudo o que a AT fizer…vocês perceberam a ideia.

A AT foi uma lufada de ar fresco no mercado, potência de 95cv com 95Nm de binário (quem achar que os japoneses da casa de Iwata fazem as coisas ao acaso..), uma ciclística ágil inspirada nas motas de enduro (o nome CRF1000 não engana ninguém), uma suspensão extremamente eficaz no compromisso On/Off Road, e uma imagem vencedora: A icónica rainha do deserto estava de volta. E sexy como nunca..

A X-Adv vem beber esta imagem vencedora, nas linhas elegantes e agressivas, na facilidade de manuseamento e qualidade de construção (assim que ligamos a moto e andamos 20 metros, percebemos que é uma Honda, tem aquela simplicidade afável, aquele modo simpático de nos dizer que estamos em controlo de tudo…e isso não é mau!!), mas também nos desafia.

Comecemos pela caixa DCT. Quem já conduziu uma Integra, já fez o switch mental e recalibrou o cérebro para conduzir uma scooter com caixa manual (tem essa opção) sabe do que falo. O sistema de embraiagem dupla DCT (que também equipa a AT) é infalível na suavidade e eficaz no modo mais desportivo. Nesse mapa as passagens de caixa são feitas com subidas de rotação mais prolongadas e as reduções acontecem no limiar do nosso pensamento, é uma experiência de condução que nos faz pensar que no fundo…somos apenas massa em cima de uma máquina com ideias próprias! A qualquer altura podemos fazer o overdrive manual e seleccionarmos nós a mudança que queremos…mas rapidamente nos entregamos aos encantos desta tecnologia.

Por esta altura já tínhamos trocado de montadas, e o desafio crescia. Em estrada, as suspensões da AT pecam pelo afundamento em travagem (provavelmente falta de afinação, porque a progressividade estava bem presente, sendo muito eficazes na leitura do terreno mais empoeirado), e o motor tem reservas de potência suficientes para pensarmos em tiradas maiores (carregada e com pendura, sem problemas), sendo que X-Adv nunca se negou a desenhar as curvas com afinco e precisão (mesmo com pneus mistos, bom feeling de direcção, com travagem a condizer e com acelerações bem simpáticas, fruto dos 55cv). Mas a parte melhor foi quando o asfalto acabou..

O fora de estrada põe-nos muitas vezes em sentido. A falta de atrito, a imprevisibilidade das condições do piso, as transferências de massa, e a maneira como lidamos com a inércia deste tipo de motas em travagem e aceleração, faz-nos endeusar todos aqueles que são mestres a fazê-lo.

A jante 21″ da AT, a atitude das suspensões a absorverem as irregularidades, a distribuição de peso e a maneira como o binário se apresenta, fazem dela uma máquina muito fácil de explorar. Pode parecer inócuo e sensaborão, mas isto é tudo o que se quer numa boa moto com apetências no todo-o-terreno, o facto de não assustar, de ajudar a perceber que ela não faz parte dos limites. Não há enganos aqui…a Honda soube exactamente o foco que queria ao dimensioná-la, é uma mota focada para o adventure riding, com o seu crivo de polivalência no asfalto. Não amámos o controle de tracção, mesmo no mínimo…parece aquela namorada chata que está sempre a chamar-nos a atenção…a meio da festa!

A X-Adv surpreendeu-nos muito neste espectro. A grande distância entre eixos (que no asfalto a torna um pouco mais lenta nas mudanças de direcção mais exigentes, mas lhe dá bastante estabilidade nos apoios longos) favorece uma traseira “feliz”, sempre pronta a soltar-se (e a fazer o mesmo efeito ao nosso sorriso!) com o intuitivo motor (já vos falei da caixa que parece um mestre Jedi!?!?) excelente na dose certa de potência. Um gozo (Às tantas, já no asfalto polido ensaiávamos “atravessadelas”…)!! Optima altura ao solo para uma maxi-scooter, bom compromisso de suspensões (nunca esgotaram na terra, nem se mostraram demasiado moles no asfalto), e a polivalência típica da classe, contando com um espaço de armazenamento debaixo do banco (21 litros) e sistema de ignição sem chave.

Muito bem plantada em todas as situações, ciclística entusiasmante (on e off!), práctica como utilitária, muito divertida quando nos “adventuramos”…a X-Adv foi uma fantástica surpresa.

Ficamos na duvida se gostaríamos de ir ao café da moda com a mota impecávelmente suja (, ou se gostaríamos estar no meio de motas de enduro com os bravos do pelotão a pensarem…como??!?

 

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